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A ciência em Karl Popper: conhecimento subjetivo e inacabado

 

A ciência em Karl Popper: conhecimento subjetivo e inacabado

Por Fábio Peres 

Aluno da disciplina Jornalismo Científico - UFMA

 

A ciência é considerada uma das mais importantes áreas do conhecimento na atualidade. A comprovação científica é capaz de conceder status quo a um produto, experimento ou negócio. Contudo, garantir a veracidade incondicional desse conjunto de métodos chamado ciência é, em suma, uma ação que conduz ao erro. Se é fato que o conhecimento científico pode ser considerado superior ao senso comum, não pode ser encarado como verdade absoluta.

A filosofia de Karl Popper (1902-1994) aponta para esse caminho: ela deu origem a uma ciência oposta à concepção indutivista – justamente a que apontava a ciência como verdade absoluta. Essa concepção, tão combatida por Popper, pressupunha uma observação inteiramente objetiva por parte do cientista, o que precedia a construção de um conhecimento inexorável. Mas como conceituar um indivíduo como ser “objetivo”, ou seja, capaz de ter contato com seu objeto de forma mecânica? Se fosse possível agir assim, a mente humana funcionaria como um “balde” no qual as diversas impressões sensoriais seriam depositadas. A aprendizagem se traduziria em “acúmulo de informações”.

Popper criticou tal pensamento, rotulando-o como “Teoria do Balde Mental”. Ele propôs uma nova teoria, na qual a aprendizagem seria também capaz de modificar as informações processadas através de “expectativas” – inerentes a todo ser humano. Em outras palavras, o processo de aprendizagem implicaria uma reação, emitida pelo organismo, resultado de estímulos externos.

A nova teoria proposta por Popper chama-se “Teoria do Holofote”. Ela postula que a mente humana seria como algo que ilumina o mundo e não como um recipiente que simplesmente recebe informações sobre ele. O horizonte de expectativas de cada um seria decisivo para o processo de experimentação: para ele, explicar seria reconstituir expectativas frustradas.

Esse tópico da filosofia de Popper é muito importante, pois destaca o papel ativo do sujeito e seus interesses particulares, sua “subjetividade”. Exemplo disso está na observação científica que sucede a hipótese (indagação). A base de conhecimentos estaria justamente na base de expectativas do ser humano: “o que” e “para que” tencionamos aprender algo sobre algo?

O surgimento da ciência – seguindo o pensamento de Popper – se confundiria com o instinto de refutar mitos tradicionais, concepções enraizadas no imaginário coletivo. Assim, quando Galileu Galilei afirmou que “a Terra não era o centro do universo”, estava contrariando uma concepção hegemônica na época e fazendo ciência.

Aspecto interessante em Popper é sua tradução da “luta” científica como arena em que o conhecimento é desconstruído e reconstruído continuamente: superar problemas encontrados por teorias anteriores é o principal objetivo do cientista.

Tomemos um exemplo: a explicação “chove ou não chove aos sábados” pode ser testada – porém não pode ser falsificada. Se não pode ser alvo de falsificação, então tal assertiva não é científica: a falsificação é um dos axiomas do conhecimento científico. Com isso, assumindo tal “falibilidade”, Popper revela que a ciência é incapaz de assumir uma aura de “verdade absoluta”.

É justamente essa possibilidade de falhar o que leva a uma busca constante por novas respostas. Em vez de “verdadeira”, podemos conceituar qual é a melhor teoria construída em determinada área, a mais conceituada e aceita: ela superou os testes realizados por seus precedentes. Assim, qualquer concepção de ciência que não reconheça sua falibilidade é uma falácia – assim como qualquer conhecimento absoluto é uma mentira. E o que hoje se tornou hegemônico amanhã poderá ser nada mais que uma premissa refutada por novos testes. Por isso a ciência é capaz de transformar o mundo continuamente.

 

 

 

 



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 22h19
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Conceito pra o Jornalismo Científico

O Jornalismo Científico é uma especializada voltada para a divulgação da ciência e tecnologia pelos meios de comunicação de massa, segundo os critérios e o sistema de produção jornalísticos.

Entretanto, é necessário que tenhamos em mente o conceito de Jornalismo e Científico, pois nem tudo que fala sobre ciência e está escrito em jornais ou revistas é jornalismo científico. A exemplo, temos O Caderno Resenhas, publicado pela Folha de São Paulo, que discorre sobre temas de ciência, mas não faz qualquer concessão ao discurso jornalístico, nem tem qualquer compromisso com a atualidade; e alguns artigos publicados pela revista Ciência Hoje, da SBPC, escritos por pesquisadores, porém, não estão estruturados em discursos jornalísticos.

Mas vale ressaltar que todo conteúdo voltado para a ciência contido nos meios de comunicação importantes e devem ser consultados, pois são uma importante contribuição à divulgação cientifica e da tecnologia nacionais. Daí, afirmamos que o Jornalismo Científico é um caso particular de Divulgação Científica: é uma forma de divulgação endereçada ao público leigo, mas que obedece ao padrão de produção jornalística.

O Jornalismo Científico depende estritamente de alguns parâmetros que tipificam o jornalismo, como a periodicidade, a atualidade e  a difusão coletiva. O Jornalismo, enquanto atividade profissional, modalidade de discurso e forma de produção tem características próprias, gêneros próprios e assim por diante.

O Brasil tem uma larga tradição no Jornalismo Científico e alguns pesquisadores da história do Jornalismo, como o prof. dr. José Marques de Melo, já percebiam manifestações desta modalidade de Jornalismo no século 19, em  Hipólito da Costa, fundador do Correio Braziliense. Destaque, ainda, para José Reis que, há mais de 50 anos, escrevia regularmente na Folha de S. Paulo e que tem contribuição relevante tanto ao jornalismo e à divulgação científicos como à ciência nacional, destacando-se como emérito pesquisador.

De acordo com o site www.jornalismocientifico.com.br, o Jornalismo Científico brasileiro tem se profissionalizado nos últimos anos a partir, sobretudo, da contribuição da Universidade, com a constituição de agências experimentais de notícias em que há participação efetiva dos futuros profissionais de jornalismo. A FAPESP, recentemente, instituiu um projeto para incentivo à formação de jornalistas científicos. A UMESP tem uma área de pesquisa há algum tempo, em seu programa de pós-graduação em Comunicação Social, voltada para a comunicação científica (e o jornalismo científico, em particular). A Universidade de São Paulo, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal de Pernambuco também se ocupam deste tema.

O Jornalismo Científico  também ganhou a Internet e manifestações importantes podem ser aí percebidas, com o jornal eletrônico Comciência, vinculado ao Labjor/Unicamp, o site Ciênciapress, da bióloga e divulgadora científica Glória Malavoglia e o debate ampliado pelo importante Observatório da Imprensa. Os grandes veículos de divulgação também praticam o Jornalismo Científico na rede mundial, com destaque aos jornais O  Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, O  Globo, Jornal do Brasil, Jornal do  Commercio/PE e O Povo/CE, dentre muitos outros.

O Jornalismo Científico abrange não apenas as chamadas "ciências duras" - Física, Química etc, mas inclui as ciências humanas, e que, em virtude da especialização em algumas áreas, tem assumido denominações particulares, em alguns casos, como o Jornalismo Ambiental, o Jornalismo em Agribusiness, o Jornalismo em Saúde, o Jornalismo Econômico, o Jornalismo em Informática etc. Na prática, no entanto, todas estas manifestações específicas remetem para o Jornalismo Científico, entendido aqui como o termo genérico, mais abrangente.



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 15h24
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O nosso anúncio sobre a participação do "imortal" da AML foi agilmente contemplado pelo Waldemiro Viana. Confira, abaixo, o texto cheio de verve e fúria, ironia e sutileza do romancista. Deleite-se!



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 21h20
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De saúvas e sanguessugas

DE SAÚVAS E SANGUESSUGAS

 

Waldemiro Viana

 

 

Sirvo-me da sugestão gentilmente “insinuada” pelo meu amigo Nilson, arguta inteligência, para incursionar sobre os desmandos e desmazelos desta nossa pátria-amada-salve-salve, através dos tempos, e constatar que nossas mazelas podem até mudar de aspecto, podem renovar o lay-out, (usando o termo muito em voga nestes tempos eminentemente tecnológicos), mas, no fundo, no fundo, continuam as mesmas, senão piores.

Quem não se recorda daquela expressão (talvez muitos - já faz muito tempo) em voga desde os primórdios do século passado, que cunhou o silogismo disjuntivo “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”? Era uma frase que, em sua estrutura basilar, definia a vocação agrícola do País de então, assestando suas baterias contra a indolência endêmica do nosso caboclo, personalizado na figura emblemática do Jeca Tatu, de Monteiro Lobato: analfabeto, preguiçoso, verminoso, incapaz de combater as saúvas que dizimavam sua parca produção. É claro que, por trás disso tudo, trazia ela, em suas entrelinhas, o alerta contra as “saúvas” políticas, que buscavam igualmente assolar o erário nacional.

E o que vem acontecendo, desses tempos - até caracterizáveis de românticos - para os nossos dias? Uma sucessão permanente de sauvices a corroer as entranhas desta nação, a velha e ubérrima Pindorama, mercê de uma avalanche de golpes contra o nosso pobre dinheirinho, impositivamente arrancado de nosso bolso, sob a forma de uma batelada inacabável de impostos: “o petróleo é nosso” (não é - é deles), Peter Kellerman (lembram?), os anões do orçamento, as verbas para obras extraordinárias, nunca realizadas.

Para o Maranhão, por exemplo, um “notável” político conseguiu uma verba federal polpuda, para rizicultura, ilustrando, para comprovação, fotos aéreas do “Campo dos Perizes”, com sua extensa plantação natural de capim canarana...

A coisa prosseguia veladamente, todos sabendo, mas ninguém comprovando nada. Comentavam-se as falcatruas a boca pequena, como se segredos de maçonaria.

Mas eis que a consciência (?) de um corrupto o leva a denunciar - exclusivamente por sentir-se excluído do butim - um extraordinário esquema de corrupção, envolvendo praticamente todo o Congresso Nacional, e tome mensalão, carequinha, dólares na cueca, explosão da ética petista, além da extraordinária ignorância do supremo mandatário, que, no vórtice da bandalheira, candidamente declarou (e declara) não saber de nadica de nada.

Até chegarmos ao (até agora) último capítulo da traquibérnia: os sanguessugas. Ah, os sanguessugas! Esses doces canalhas que, por trás de seus mandatos e imunidades, metem as mãos em nossos bolsos, malandramente, e ainda têm o descaramento de tentar atenuar nossos infartos com suas ambulâncias superfaturadas.

E nós, ó!...

As eleições vêm aí, minha gente. Olho neles. Valorizem o seu voto. Examinem, estudem, expurguem essa corja.

Lembrem-se: ou o Brasil acaba com os sanguessugas, ou os sanguessugas acabam com o Brasil.



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 20h40
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O "Es-Fera Política" abre, em breve, espaço para a crônica. Com a assinatura de um romancista da Academia Maranhense de Letras. Aguarde!


Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 17h06
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