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Vai ser burro assim...

Censura e ditadura, além da rima, têm em comum o fato de serem filhas da mesma doença crônica: uma burrice absurdamente ilimitada. A feroz ditadura de Augusto Pinhochet, no Chile, protagonizou alguns dos mais patéticos episódios nesse sentido.
Um deles: os militares apreenderam o livro “O Cubismo†pura e simplesmente por considerar que versava sobre a revolução cubana!
Outro: o autor do romance policial “Os assassinos do suicida†mofou por um bom tempo na cadeia até o dia em que alguém teve a idéia de ler o livro e constatar que a obra não tinha nada a ver com a morte de Salvador Allende, que se suicidou quando os milicos tomaram de assalto o palácio presidencial, no golpe de 1973!

Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 17h38
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posto de observação

por internauta

eu estou aqui, no meio da multidão, ouvindo um bando de caras que se dizem mais honestos que os outros. e eles falam, falam e a gente tem a impressão de que eles devem ser também mais inteligentes e mais bonitos que os outros, pois tem até umas meninas que dão gritinhos quando eles pedem os aplausos da galera.

eu olho pros rostos de toda essa gente que tá aqui, debaixo de sol a pino, sem entender bulhufas, necas de pitibiriba, porra nenhuma o que é que os caras querem dizer com "globalização", "transparência", "responsabilidade social" e com tanto palavrório que vomitam em cima do povo.

eu penso que o cara que tá falando agora vai dizer alguma coisa interessante, vai tirar do bolso algumas "onças" e jogar pra platéia ou então sair tirando coelhos de uma cartola mágica, mas o sujeito só abre a boca pra dizer "por isso peço o seu voto", como se a gente não soubesse que ele tá pedindo é a nossa alma, cara.

eu não consigo mais nem ter raiva desse turma toda, pois sei que adianta muito pouco mudar de deputado, senador ou governador: a gente tem trocado seis por meia dúzia, e nada muda... aliás, muda sim... muda (pra melhor) o patrimônio de uns poucos... enquanto isso, o povo tá na merda, banguela e desempregado.

eu sei que a culpa é mais nossa, os ferrados, que ajudamos a colocar esses caras lá em cima. mas a gente tem culpa se, na melhor das intenções, vota acreditando que aquele é o cara, enfim o sujeito que vai fazer as coisas sem meter a mão no dinheiro do povo?

volto ao palanque. agora, quem fala é um candidato a senador. ele tem a solução pra tudo, e nós só precisamos elegê-lo pra ele mudar completamente a nossa vida miserável. ele pede um voto de confiança e eu lembro, com tristeza, que no brasil infelizmente não tem o tal "voto de desconfiança", que podia afastar o sujeito se ele não cumprisse direito o seu mandato e se esquecesse de estar sempre antenado com os anseios da maioria dos seus eleitores.

eu até podia votar nele se ele me explicasse de onde vem o dinheiro que financia a sua (dele) campanha e como é que ele vai fazer pra pagar a quem bancou a maioria das despesas...

o comício tá terminando. neguinho aplaude e vai pra casa com a esperança de que amanhã será um outro dia -muito melhor, quem sabe? e se não for, daqui a quatro anos, a gente vai estar aqui na praça ouvindo as mesmas promessas -e acreditando que isso aqui tem jeito.



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 12h46
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A TRAJETÓRIA DE UM SIMPLÓRIO

 

Waldemiro Viana

 

 

Foi bonito de se ver.

Veio lá de baixo, lá do chão gretado do Nordeste, lá da aridez do solo, da inclemência da Seca, da secura dos olhares perdidos em horizontes sem esperança.

Acotovelou-se, com a família, num pau-de-arara, e arribou para o Sul, para o Éden prometido, para o Xangri-lá utópico dos desesperançados.

E vini, vidi, vencit. Qual Julio César moderno, atingiu, após sucessivas tentativas e memoráveis desenganos, o ápice de uma carreira absolutamente inimaginável, só alcançada, em termos de comparação no universo das democracias, pela ascensão do lenhador Abraham Lincoln à presidência de seu país.

Pertinaz, fez das derrotas incentivo, mudou seu discurso, adequou-se ao status quo e, após muita luta, pôde envergar a faixa presidencial, para cumprir um destino, supunha-se, glorioso: o de salvar a pátria, restabelecendo, para os brasileiros, o orgulho de ser brasileiro.

Era a proposta. E todos acreditavam nele e nela. E a grande maioria confirmou, nas urnas, essa esperança.

Mas acontece que o Lulinha Paz e Amor daquela campanha gloriosa, mal se viu às voltas com o cargo e os misteres da Presidência, descobriu, maravilhado, que aquele era o brinquedo com o qual sempre sonhara, e, esquecido de todos os seus compromissos e promessas, resolveu tirar o pé da lama e curtir adoidado, viajando pra cá e pra lá, cumprimentando autoridades mundiais, de igual para igual, adquirindo um aviãozinho mais novo, mais equipado e mais adequado às suas necessidades de globe-trotter sofisticado, da antes tão odiada classe dos VIP.

E cuidou apenas de gozar o brinquedinho. Os problemas do País (que problemas, bolas? Não eram seus - eram do país), que seus ministros os resolvessem. Tinha plena confiança na tchurma, o que eles fizessem tinha o seu aval, mesmo que não soubesse do que se tratava.

E assim a canalha cuidou de estabelecer aquele sistemazinho cabuloso de estabelecer as bases de um PT indestrutível, eterno no Poder, não recusando, para tanto, qualquer negociata, qualquer acordo escuso, qualquer forma de bandalheira.

E o que se viu foi a débâcle da dignidade de um país. o que o mundo testemunhou foi a sordidez dos mensalões, dos delúbios, dos dólares encuecados, o erário  nacional escorrendo por entre os dedos pútridos daquela corja de sacripantas, sob a batuta do Zé Dirceu, aquele que fora cassado sem pegar em armas, que fora guerrilheiro de araque sem enfrentar sequer uma briguinha de rua.

Até que chegou o Roberto Jefferson, e... Mas isso é outra história.

O que interessa, aqui, é saber se o presidente sabia da tramóia. Ele afirma que não, o que praticamente ninguém acredita.

Mas eu acredito.

Acredito, sim, na inocência do Lula. Como poderia saber das safadezas de sua troupe, gente, se ele não tinha tempo?

Como saber, se toda a sua atividade, em Brasília, consistia em brincar de presidente?

E o pior é que, para mal de nossos pecados, parece que o Lulinha vai continuar brincando...

Mas a gente merece, sim. Pelo menos, como castigo, por temos votado nele na eleição anterior. Bem feito.

 



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 18h14
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