 |
E AS PROPOSTAS?
Por Priscila Cardoso
Dois mil e seis. Nove candidatos desejam estar à frente do Governo do Estado do Maranhão. Muito interessante, já que a diversidade e a liberdade de escolha são sinônimas de democracia. Mas, aqui no Maranhão, nem tanto. Os candidatos estão cada vez mais vazios e repetitivos. Ainda não teve sequer um minuto da propaganda eleitoral gratuita que merecesse atenção. Esse espaço, que em tese deveria ser aproveitado para a apresentação de idéias e avaliação crítica dos candidatos, está sendo utilizado exclusivamente para mentir, ofender e caluniar. Quem sairá perdendo? Nós, os eleitores, já que desta maneira não poderemos avaliar sequer quem será o “menos pior” para ocupar o cargo de maior importância de nosso Estado.
De um lado, Roseana Sarney, ex-Governadora, que, agora, tenta barganhar um terceiro mandato. Utilizando, principalmente, sua empresa de telecomunicações, repassa informações distorcidas e, até mesmo, mentirosas sobre o que realmente se passa no cenário político à época das eleições e, o mais importante, faz o povo esquecer que, em oito anos de governo, Roseana foi responsável por uma administração catastrófica, marcada por um festival de privatizações e inúmeros escândalos. A ex-Governadora, rainha dos viadutos, tratou de “investir” apenas em infra-estrutura, fazendo seu Governo ser eternamente lembrado pela construção de estradas. Escolas foram raridade e hospitais, lendas.
Do outro lado, uma Frente inteira, cuja soma de todas as candidaturas vale tanto ou menos que a primeira opção. A Frente de Libertação do Maranhão, formada para “libertar” o Maranhão da oligarquia Sarney que aí está há quarenta anos, tem como nomes principais Jackson Lago, Edson Vidigal e Aderson Lago. A união, apoiada pelo Governador José Reinaldo Tavares, teve a pretensão de dividir o eleitorado sarneyista, dando-lhe mais opções, estratégia que não vem dando certo. No horário eleitoral, podemos observar uma onda de ataques que em nada acrescentam à população do Maranhão já tão cansada de assistir a tanta baixaria. Os três candidatos fazem as denúncias entrarem quase que por osmose na cabeça dos eleitores, já que batem insistentemente na mesma tecla.
As pesquisas de opinião (encomendadas pela TV dos Sarney, vale lembrar) até agora apontam vitória esmagadora de Roseana logo em primeiro turno. Um fato a se questionar: o que será que realmente passa pela cabeça dos maranhenses? Será que a acomodação, a alienação e o medo da mudança, garantirão Roseana no Governo? Ou será que a população tentará, talvez sem sucesso, mudar a situação de miséria, principalmente mental, que se abate sobre o Maranhão? Resta-nos esperar o grande dia e que, dos males, venha o menor!
Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 10h43
[]
[envie esta mensagem]
O obscurantismo científico
Por Wagner Moura
Jornalismo Científico/UFMA
Em março de 2005 o Brasil assistiu ao clímax de divergências entre ciência e religião. Tratou-se da disputa em torno das pesquisas com células-tronco embrionárias humanas, defendidas com unhas e dentes pela comunidade científica representada pela pesquisadora da USP, Mayana Zatz e indesejada pela comunidade religiosa, representada especialmente por autoridades da Igreja Católica.
De acordo com a cobertura midiática a polêmica em torno das pesquisas era fruto de um obscurantismo medieval que teimava em manifestar-se no seio da Igreja, uma instituição que defende a vida desde sua concepção e para a qual o conjunto de células originado após a fundição dos gametas tem grande probabilidade de ser um homem em formação, digno de ter respeitado e protegido seu direito à vida.
No final da disputa, cujo palco simbólico fora a Câmara dos Deputados Federais, o nominado obscurantismo foi vencido por 366 votos a favor da realização de pesquisas com células-tronco embrionárias obtidas de embriões congelados há mais de três anos – ou descartados pelas clínicas de fertilização por não terem qualidade para implantação.
A comunidade científica comemorou. “A parceria mídia-pacientes-pesquisadores-profissionais de saúde foi decisiva. A virada se deu à medida que a imprensa ia entendendo a questão e apoiando”, avaliou Mayana Zatz, a grande articuladora dos interesses dos cientistas e dos pacientes junto aos parlamentares e à sociedade civil.
Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 15h09
[]
[envie esta mensagem]
A parceria entre ciência e mídia, no entanto, é uma relação que não deveria permitir que o público saísse desinformado da questão. É sabido pela comunidade científica que o uso das células-tronco embrionárias não tem eficácia comprovada, apesar de alimentar sonhos de pacientes e egos de cientistas.
Essa realidade, pouco mencionada pela mídia de forma eficaz, poderia caracterizar uma nova forma de “obscurantismo”. Um termo que, provavelmente, para o público medieval tinha outro significado, uma vez que naquela época – apesar do discurso da atual parceria entre mídia-pacientes-pesquisadores-profissionais de saúde – os avanços técnicos existiram e concretizaram sonhos.
Foi no período medieval, compreendido entre os séculos XII e XVII, que a mídia ganhou uma ferramenta que possibilitaria o início de um grande desenvolvimento para este campo: a imprensa. Seu surgimento é fruto das constantes inovações tecnológicas que põem em cheque qualquer sustentação de que a Idade Média teria sido um momento de misérias e privações sanitárias.
A história, na verdade, revela que nesse período surgiram importantes inovações no transporte, um avanço representado de modo especial pela tecnologia marítima. Também foi na Idade Média que apareceram as boas maneiras, a 'etiqueta', a faca passou a ser um componente da mesa, assim como o garfo, que acabou se tornando um utensílio doméstico após a peste negra.
A partir do século XII, explorou-se outra fonte de energia: o vento. Os moinhos de vento são mencionadas pela primeira vez entre 1162 e 1180. No século XIII, já se comprova a existência de moinhos de maré na foz do Adour, perto de Bayonne.
Os óculos para corrigir a miopia aparecem por volta de 1285. Primeiro de cristal de rocha, depois de vidro. Nos séculos seguintes, outros artesãos iriam melhorar as lentes, de onde resultariam o telescópio e o microscópio.
Os relógios mecânicos de peso difundem-se no fim do século XIII. No século XV surgem os relógios de areia, ou ampulhetas.
O estudo dos movimentos celestes ganhou muito com a invenção do astrolábio, cuja autoria ou introdução no mundo ocidental atribui-se ao Papa Silvestre II. As conseqüências do uso de tal instrumento foram incalculáveis.
A invenção mais importante da indústria metalúrgica, o ferro fundido, teve na Idade Média um momento estratégico, pois foi naquele período que criou-se o alto-forno, elemento que possibilitou a fabricação do ferro fundido.
Também o bronze, uma liga de cobre e estanho, com um ponto de fusão mais baixo que o ferro, era fundido desde os começos do século XII e utilizado na fabricação de estátuas e sinos, algo que exigia técnica especial para que o mesmo produzisse um som adequado.
São invenções que testemunham o progresso da ciência medieval. Fatos praticamente desconhecidos do grande público, cuja atenção está sempre voltada para os mártires que a ciência pontua naquela período. Ressalvas que raramente esclarecem que as condenações de cientistas célebres pouco ou nada tinham a ver com a condenação às suas teorias científicas, mas a intromissões de cunho filosófico no ensino da Igreja.
Um exemplo clássico é Galileu Galilei, denunciado à Santa Inquisição por heresia contra o sacramento da eucaristia, em 12 de abril de 1633. Tudo porque para defender sua teoria, Galileu se colocava diretamente contra a filosofia de Aristóteles (da qual tanto se servia a teologia escolástica), ao ponto de publicar Il Saggiatore, obra na qual afirmava que as qualidades sensíveis de um corpo material existiriam somente na sensação e não na própria substância material. Então o sabor, o odor, a cor seriam apenas nomes em relação à substância na qual pareceriam residir.
O pensamento era o mesmo de Guilherme de Occam, considerado herege pela Igreja. Tudo porque suas idéias eram contrárias ao que a religião ensinava sobre a eucaristia. E para a Igreja a incompatibilidade da filosofia do Saggiatore com a eucaristia era muito mais importante do que a questão "se a Terra se move".
No discurso de importantes cientistas da atualidade é comum ouvir-se que, no passado, a religião condenou a ciência por razões científicas, mas na realidade estava intervindo em questões de fé.
Atualmente, como mostrou o caso das células-trono, já se compreende que a Igreja se posiciona contrário a teses filosóficas que permeiam a ciência, como a de que a vida humana não começaria na concepção. Porém, nega-se à religião o direito de ser ouvida e respeitada quando realiza o que lhe é próprio: posicionar-se claramente em questões cuja filosofia ameaçam os valores da religião.
Uma atitude poderia caracterizar uma era de obscurantismo real, no qual a ciência estaria insatisfeita com a legitimidade que adquiriu ao ponto de buscar obter nova abrangência. Confundindo-se com filosofia, talvez com religião.
Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 15h09
[]
[envie esta mensagem]
As Ciências na Renascença
Fábio Peres
de Jornalismo Científico/UFMA
A Renascença foi um período extremamente produtivo para a ciência. Deixando para trás as sombras da idade média, cientistas de todas as áreas do conhecimento definiram novos rumos para a humanidade.
Os pintores da Renascença retratavam a natureza com extrema perfeição. Isso contribuiu para que os estudiosos da Biologia e da Botânica pudessem entender mais a fundo seus objetos de pesquisa: os detalhes das plantas eram extremamente minuciosos. Enquanto Boticelli retratou com perfeição as plantas, Dürer pintou os gramados europeus com maestria. Tal representação foi extremamente positiva para a ciência.
A medicina (todas as ciências da área médica) experimentou o progresso com o fim da Idade Média – sobretudo através das universidades e do início das experiências na anatomia (até então, o estudo da anatomia dos seres humanos era proibida pela Igreja). O belga André Vesálio realizou, nessa época, inúmeros experimentos de dissecação de cadáveres na mais importante escola de medicina da época, a escola de Pádua. Sem tal procedimento, as ciências médicas não teriam evoluído tão rapidamente.
Também as ciências químicas alcançaram o progresso, sobretudo através das experiências em alquimia. O médico Paracelso aliava a alquimia à medicina: enquanto a primeira lhe trazia fama e riquezas, a segunda era exercida em benefício das populações menos favorecidas. O livro “alquimia”, de André Libavius, foi considerado o melhor livro de química do século XVII e estimulou uma série de pesquisas e avanços na ciência. Outras ciências como a física não tiveram, contudo, desenvolvimento significativo na Renascença.
A matemática foi a ciência que mais avançou nesse período da História, com o matemático Euclides: suas idéias serviram a construtores de catedrais e geógrafos que auxiliaram as expedições marítimas. Entre os matemáticos mais importantes da Renascença estão Felipo Brunelleschi, Leonardo Fibonacci e François Viéte.
Na astronomia, Nicolau de Cusa lançou hipóteses revolucionárias, entre elas a de que “haveria vida em outros planetas” e de que “a terra não se movia em uma órbita, mas de forma aparente”.
Porém, quem mais se destacou na Renascença foi Leonardo Da Vinci. O cientista – considerado um dos maiores gênios da humanidade - nasceu em Vinci, cidade próxima a Florença. Filho de um advogado renomado e de uma camponesa, foi educado pelo pai e, desde cedo, interessou-se pela pintura e pelo desenho. Desempenhou trabalhos como engenheiro militar, arquiteto, escultor e pintor em Milão. Em Florença, produziu obras de arte até hoje exaltadas, como “Adoração dos magos”, “A última ceia” e “Monalisa”.
Da Vinci é considerado um gênio “enciclopédico”. Isso porque conheceu a fundo a anatomia, a geologia, a botânica, a hidráulica, a óptica, a matemática, a arquitetura, e outras áreas do conhecimento. Seus estudos impulsionaram uma série de experimentos científicos, hoje consolidados. Explicação para isso está no grande número de profissões que exerceu: ele abordou a ciência por seu lado prático. Assim, Leonardo só admitiu como verdadeiros experimentos que podia observar e comprovar. Apesar de não ter publicado nenhuma obra, Leonardo deixou à humanidade cadernos repletos de experiências e, também, protótipos e construções de toda natureza. Foi através dele que a Renascença assumiu o lugar de “ponto de partida para a grande corrida científica na História”.
Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 23h27
[]
[envie esta mensagem]
Mais anedotas da política maranhense:
RETRATAÇÃO
O vereador Mundinho Guterres, expoente da vida boêmia de São Luís na segunda metade do século passado, deparou, certa vez, com uma notinha a seu respeito, em corpo 8, perdida entre as folhas centrais da edição do Jornal Pequeno daquele dia, que começava assim:
“O vereador Mundinho Guterres, com aquela sua cara de porco cevado...”
Indignado, dirigiu–se ao prédio daquele diário, então, como agora, ali na Rua Formosa, onde demonstrou, com alguma violência, toda a sua revolta, entornando baldes de tinta que ali se encontravam, derrubando rolos de papel, caixas de tipos, e o que encontrasse pela frente, a exigir imediata retratação.
No que foi atendido, através do humor ferino do proprietário do periódico, o grande jornalista Ribamar Bogéa. Na edição do dia seguinte, em manchete destacada de primeira página, lia–se o brilhante desmentido:
“O JORNAL PEQUENO RECONHECE: O VEREADOR MUNDINHO GUTERRES NÃO TEM CARA DE PORCO CEVADO.”
JARGÃO
O vereador Manoel Martins, o popular Manoel Jacaré, de restrita instrução, foi representante do bairro de Fátima por várias legislaturas. Ainda vigoroso, em seus alentados oitenta e tantos anos, fazia, certa vez, pronunciamento por escrito sobre assunto que não era de seu pleno domínio, na tribuna da Câmara.
Com o visível propósito de embaraçá–lo, um colega pôs–se a aparteá–lo reiteradamente. Já quase conseguia seu objetivo quando o orador, entre agastado e respeitoso, perguntou–lhe, naquele seu jargão característico, o mesmo com que tratava seus clientes, no empório comercial que mantinha em seu bairro:
– Vossa Excelência tá querendo me escrotear?
POSIÇÃO
Aproximava–se o fim do governo, e o governador Nunes Freire, percebendo que muitos dos deputados estaduais debandavam para os lados do anunciado futuro governador João Castelo, resolveu tirar a limpo o real contingente de parlamentares que o apoiavam de verdade, e convocou a bancada da ARENA para uma reunião. Ali, solicitou de cada um que desse seu posicionamento.
Chegou a vez do deputado Djalma Campos, craque de futebol, ídolo da torcida “boliviana”, por isso mesmo eleito com folgada votação. O governador indagou–lhe:
– E o senhor, Deputado, qual a sua posição?
Este não tergiversou:
– Quando eu jogava no Sampaio Correa, Governador, a minha posição era meia–direita.
Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 14h06
[]
[envie esta mensagem]
Frases de políticos
Eis duas frases emblemáticas sobre os políticos (só pra descontrair):
"Os políticos são como as fraldas, devem ser trocados constantemente. E sempre pelo mesmo motivo."
"A diferença entre o ladrão e o político é que um eu escolho, o outro me escolhe."
Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 23h16
[]
[envie esta mensagem]
|
 |
 |