A Es - Fera da Política
   
Histórico
29/10/2006 a 04/11/2006
08/10/2006 a 14/10/2006
01/10/2006 a 07/10/2006
24/09/2006 a 30/09/2006
17/09/2006 a 23/09/2006
10/09/2006 a 16/09/2006
03/09/2006 a 09/09/2006
27/08/2006 a 02/09/2006
20/08/2006 a 26/08/2006
Outros sites
UOL - O melhor conteúdo
BOL - E-mail grátis

Votação
Dê uma nota para meu blog

 


E AS PROPOSTAS?

Priscila Cardoso

Dois mil e seis. Nove candidatos desejam estar à frente do Governo do Estado do Maranhão. Muito interessante, já que a diversidade e a liberdade de escolha são sinônimas de democracia. Mas, aqui no Maranhão, nem tanto. Os candidatos estão cada vez mais vazios e repetitivos. Ainda não teve sequer um minuto da propaganda eleitoral gratuita que merecesse atenção. Esse espaço, que em tese deveria ser aproveitado para a apresentação de idéias e avaliação crítica dos candidatos, está sendo utilizado exclusivamente para mentir, ofender e caluniar. Quem sairá perdendo? Nós, os eleitores, já que desta maneira não poderemos avaliar sequer quem será o “menos pior” para ocupar o cargo de maior importância de nosso Estado.

 

De um lado, Roseana Sarney, ex-Governadora, que, agora, tenta abarganhar um terceiro mandato. Utilizando, principalmente, sua empresa de telecomunicações, repassa informações destorcidas e, até mesmo, mentirosas sobre o que realmente se passa no cenário político à época das eleições e, o mais importante, faz o povo esquecer que, em oito anos de governo, Roseana foi responsável por uma administração catastrófica, marcada por um festival de privatizações e inúmeros escândalos. A ex-Governadora, rainha dos viadutos, tratou de “investir” apenas em infra-estrutura, fazendo seu Governo ser eternamente lembrado pela construção de estradas. Escolas foram raridade e hospitais, lendas.

 

Do outro lado, uma Frente inteira, cuja soma de todas as candidaturas vale tanto ou menos que a primeira opção. A Frente de Libertação do Maranhão, formada para “libertar” o Maranhão da oligarquia Sarney que aí está há quarenta anos, tem como nomes principais Jackson Lago, Edson Vidigal e Aderson Lago. A união, apoiada pelo Governador José Reinaldo Tavares, teve a pretensão de dividir o eleitorado sarneyista, dando-lhe mais opções, estratégia que não vem dando certo. No horário eleitoral, podemos observar uma onda de ataques que em nada acrescentam à população do Maranhão já tão cansada de assistir a tanta baixaria. Os três candidatos fazem as denúncias entrarem quase que por osmose na cabeça dos eleitores, já que batem insistentemente na mesma tecla.

 

As pesquisas de opinião (encomendadas pela TV dos Sarney, vale lembrar) até agora aponta vitória esmagadora de Roseana logo em primeiro turno. Um fato a se questionar: o que será que realmente passa pela cabeça dos maranhenses? Será que a acomodação, a alienação e o medo da mudança, garantirão Roseana no Governo? Ou será que a população tentará, talvez sem sucesso, mudar a situação de miséria, principalmente, mental que se abate sobre o Maranhão? Resta-nos esperar o grande dia e que dos males, o menor!



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 10h12

[] [envie esta mensagem]




O DIA DO DEVER CÍVICO

 

Waldemiro Viana

 

 

 

Fui, domingo passado, igual a milhões de outros eleitores, sufragar nas urnas o meu protesto contra a situação de descalabro em que se encontra o País.

Votar é um processo chato, eu sei, principalmente quando imposto, como é o caso brasileiro, num verdadeiro atentado aos mais comezinhos princípios democráticos: se o cidadão é livre, por quê obrigá-lo a fazer o que não quer? Tal imposição é uma antítese, com toda certeza.

Apesar (e por causa) disso, eu fui, comigo levando mulher, filha, netos. As duas primeiras, pelo mesmo motivo; os últimos, porque, para eles, tudo é festa, tudo é diversão.

Mas nessa eleição específica eu teria ido, mesmo se o direito de votar fosse franqueado á vontade de cada um. É que o mínimo que eu, enquanto cidadão, posso fazer é cravar meu voto anti-Lula, anti-mensalões, anti-sanguessugas, anti-pouca-vergonha. Meu solitário protesto contra a indignidade que campeia nas esferas políticas deste país, onde, ao que parece, o vergonhoso é ser honesto, é ser correto, é ter mãos limpas.

A esperança de uma mudança no status quo é reduzida. Não creio que o opositor do atual titular do Alvorada venha a recuperar a dignidade abalada pelo face apodrecida que vergonhosamente ostentamos para o Mundo lá fora. Afinal, o FHC passou por lá, e...

Mas eu não posso, em sã consciência, contribuir para a permanência de quem tão irresponsavelmente permitiu a farra da canalha que o cerca, apesar de suas pouco críveis declarações de “desconhecimento” das falcatruas, realizadas sob o seu deslumbrado nariz de presidente.

Uma coisa é inegável: não há como não elogiar o processo eleitoral brasileiro, em sua técnica informatizada, em sua rapidez apurativa. Em questão de horas o País, um dos maiores colégios eleitorais do planeta, já pode saber quem ganhou, quem perdeu, e isso sob uma lisura impecável.

Por outro lado, é sempre bom atentarmos a pequenos detalhes do momento do voto. Como, por exemplo, a aflição de uma eleitora, em minha seção: tipo índio, aí pelos seus sessenta anos, desdentada, a mastigar continuadamente a língua, como se fora uma goma de mascar, aquela pobre criatura passava por momentos aflitivos, na digitação de sua vontade eleitoral. Digitava na maquininha os números da “pesca” que trazia à mão, mas parece que errava sempre, pois balançava negativamente a cabeça, um sorriso meio idiota estampado na cara, e voltava a tentar. Por várias vezes repetiu o processo, até desistir e pedir ajuda aos mesários.

Aí veio a outra face da questão - o infalível processo burocrático brasileiro. O Presidente da Mesa, muito circunspecto, alegou a impossibilidade de oferecer-lhe ajuda, em razão do secretismo dos sufrágios, e a coisa ainda demoraria muito tempo, se eu não interviesse e pedisse ao recalcitrante que a ajudasse, sob pena de ficarmos nós ali sabe Deus até quando. Houve reforço dos demais eleitores presentes, e o presidente, mesmo contrariado, aproximou-se da mulher e auxiliou-a em sua escolha.

Eu era o próximo a votar, e o fiz apressadamente, correndo atrás da índia (se é que o era de verdade). Alcancei-a e perguntei-lhe em quem tinha votado, para presidente.

“No Lula”, disse-me ela.

Bem feito, pensei, contrariado: quem me mandou meter o bedelho onde não era chamado?

Pois não é que eu terminei ajudando o cara?!     



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 16h29
[] [envie esta mensagem]


[ ver mensagens anteriores ]