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O FIM DO SONHO, A CONTINUAÇÃO DO PESADELO

 

Waldemiro Viana

 

 

A vontade do povo é soberana, eis o princípio basilar da democracia. Como reza sua cartilha, todo o poder é por ele e em seu nome exercido, e sua vontade, expressa em urnas livres, tem de ser respeitada.

Assim, eis que mais uma vez o nosso Lula-lá é guindado ao trono de suas maiores aspirações. Mais quatro anos de gozo e divertimentos. Mais quatro anos de viagens internacionais, a bordo de seu requintado aerolula, pra lá e pra cá, Lula-lá e Lula (por pouquíssimo tempo)-cá, feliz da vida, exibindo seu linguajar peculiaríssimo, suas brilhantes metáforas futebolísticas perante autoridades do mundo inteiro, entre tragos da branquinha.

E mais quatro anos de sabe Deus que outras mais elucubrações de sua turma da pesada, em sua frenética busca pelo dinheiro público que a mantenha e perpetue no poder. Tudo isso sem o conhecimento do nobre mandatário.

O povo brasileiro parece - não, é! - uma criança, facilmente iludível, que se deixa levar por pequenos mimos, que se deixa enganar por promessas vãs. É só repetir o já prometido - e não cumprido - e todos acreditam piamente nessa demagogia ululante. E o engraçado é que a grande maioria não percebe isso.

Outro dia recebi um e-mail que trazia o Lula 2002 prometendo exatamente as mesmas coisas que basearam a campanha do Lula 2006, sem tirar nem por. Até o discurso da vitória de ontem, aliás, trazia a mesma bazófia:

“Não posso mais errar. Estes quatro últimos anos me deram a experiência necessária para refletir sobre os erros cometidos, e evitar tropeços futuros”. Essas mesmas palavras foram proferidas no seu discurso da vitória de 2002. Basta conferir.

 E é interessante de ver como as coisas se acomodam. O Zé Dirceu, tido como o cabeça, o cérebro da gangue do mensalão, foi escorraçado do poder, proscrito pelo julgamento popular. Foi. Já está atualmente entre as cabeças pensantes do novo governo. O Palocci, defenestrado, foi eleito deputado federal por são Paulo. Aliás, São Paulo... Meu Deus! O mais progressista Estado da Federação, o mais rico, o mais isso, o mais aquilo... Elegeu o Paulo Maluf, ladrão de carteirinha do dinheiro do povo, do nosso dinheiro, com zilhões de processos por corrupção, improbidade administrativa, o escambau, nas costas! E olhe que nem vou falar do Clodovil - aliás, deles todos, creio que o melhor...

Mas... que se há de fazer? É a vontade soberana do povo, não é?

Que povo, ó Senhor! E olhe que dizem que o senhor é brasileiro!...



Escrito por Jornalismo Político - UFMA às 17h58
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